domingo, 6 de março de 2011

Remorso



Você sempre soube me encantar com esse jeito seu de entender o meu dramático. Jeitos nossos, completamente diferentes e estupidamente iguais. Eu ainda não entendo por que não fomos tudo aquilo que queríamos ser um para o outro, talvez nem estivéssemos preparados, talvez a culpa não seja nossa e sim do medo que tanto nos paralisa. Eu sei, você percebeu a maquiagem nas minhas palavras e a forma como deixei o tempo roubar de nós o que havia. Não nego, tive medo. Medo de me entregar a ti por inteira. Hoje o que há em mim é a culpa por não ter acreditado na combinação dos nossos signos, você de câncer e eu de escorpião, impossível encontrar uma combinação melhor: verdade X mistério, céu X inferno.


Hoje em conversas pelo menssenger você sente as pausas que faço entre uma palavra e outra, tudo isso para construir a frase perfeita e não te afastar mais do que já o afastei de mim. Depois de tanta coisa não vivida, de tanta história não acontecida, sobra em nós o respeito, a saudade e em mim a culpa por ter sido tão imprestável para o teu amor, resta também essa timidez e a certeza de que o nosso tempo passou. E continuaremos chorando, continuaremos com a voz embargada quando temos tanto para falar um para o outro.


E é por tudo isso que a voz doce tende a se destacar nos raros encontros, para não ferir ainda mais, para tentar fazer com que o abraço saia das conversas virtuais, porque a verdade é que queremos o mesmo, oferecer um ao outro o que ainda não temos a dar. E continuaremos o resto das nossas vidas unidos, não porque nos amamos, mas sim porque compartilhamos da mesma culpa, do mesmo remorso.

sábado, 5 de março de 2011

Lendo o "Amor"

Hoje pela manhã li "amor" um dos tantos contos da minha "escritora de cabeceira" Clarice Lispector. Me senti extremamente tocada com a "piedade de leãoo" de Ana.
Esta não foi a primeira vez que li o "amor,"mas desta vez senti o que Ana sentiu quando olhei o cego que Ana olhou, "olhei-o como se olha o que não nos ver." Um misto de bondade, piedade e tristeza tomou conta daquela minha leitura, de repente me senti devorando aquelas palavras, atenta e ansiosa para saber o que sentiria Ana e o que o seu sentimento provocaria em mim. Devorei o mundo de Ana, que Clarice escreveu para seus leitores e assim também para mim. O mundo de Ana não era só seu, não é tão meu, mas por um momento me senti nele e sinto, ainda estou.


 
"A sala era grande, quadrada, as maçanetas brilhavam limpas, os vidros da janela brilhavam, a lâmpada brilhava — que nova terra era essa? E por um instante a vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver."

quinta-feira, 3 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Da espera



Eu me doei por inteira a você, mas você recusou todo o afeto que por muito tempo segredei em mim. Eu te ofereci o ombro, eu te disse: “_vai, vem pode chorar”, mas eu esqueci que você nunca chora. Se você viesse até mim, eu te ouviria e faria de tudo pra não me apressar e te atacar, roubando assim um beijo que não seria nem seu e nem nosso.

Eu me entreguei, mas errei ao esperar que fizesse o mesmo. Esperei o abraço que não veio, a boca colada, mas não o beijo. Eu esperei por palavras, você me veio foi com um enigma, pensando que sou tão inteligente quanto você imagina, mas eu não sou, porque se fosse eu não te queria tanto.

A verdade é que nunca esperei nada de você, eu esperei que você viesse até mim, que me dissesse um sim, um não, mas nunca e de forma alguma um TALVEZ que provocaria e provocou uma esperança tão desanimada em mim. Você foi homem demais pro meu lirismo e TALVEZ seja por isso que ainda esteja presente, preenchendo as minhas folhas brancas de palavras jogadas, suicidas a beirar abismos.

Bom, esse é só o primeiro post, espero que gostem!